| cristiano.pitt's profilePitt onlinePhotosBlogLists | Help |
|
11/2/2007 A MENINA DO CAIXAA MENINA DO CAIXA
Esses dias, tive que ir ao mercado, coisa que tento sobremaneira evitar: corredores estreitos, pessoas se atropelando, disputando produtos supérfluos nas gôndolas, e, a cereja do bolo, filas. Fila para o pãozinho, para os salgadinhos entupidos de colesterol, umas delícias, fila na balança – pois é preciso comprar, e não só comprar, é preciso comer, ou pelo menos engolir frutas, verduras e assemelhados, foi a nutricionista que me disse – e, finalmente, a fila do caixa, a pior de todas. Eu realmente odeio filas. Mas tive que ir ao mercado, fazer o quê. Não havia mais mantimentos em casa, não havia mais produtos de higiene e limpeza e, meu Deus!, não havia mais vinhos nem qualquer outro líquido potável. Então fui. Fiz o que as pessoas normalmente fazem nos mercados e acabei na fila do caixa. Longa, como todas elas são. Suspirei e tentei relaxar, comecei a pensar no Campeonato Brasileiro, ah!, como seria bom se voltasse o mata-mata, pensei no meio-de-campo do Santos de 2002 e puf!, quando vi já era a minha vez. Comecei a esvaziar o carrinho de forma bem tranqüila. (Abre parênteses: eis um lado sombrio do comportamento humano. As pessoas numa fila, eu e você inclusos, têm pressa até que chegue a sua vez de serem atendidas. No guichê, tudo é alegria, pasmaceira e lentidão, como se nada mais houvesse a fazer na vida depois daquilo. Fecha parênteses). Pois bem, estava eu nesta pasmaceira quando percebi que a menina do caixa me olhava. Olhava, não: me fuzilava com os olhos. Um olhar de reprovação que nem meu pai jamais conseguiu elaborar, um olhar que me congelou na hora – mas que encarei e entendi. Eu, na lerdeza de cliente da vez, atrasava a fila. Ah, é? É assim, é? Então é guerra! Comecei a despejar produtos alucinadamente no balcão, para ela ver com quem estava se metendo. Reparei, em meio ao exercício, que ela era miúda, fraquinha, os bracinhos finosfinosfinos, e pensei: tá no papo. Enganei-me rotundamente. Quanto mais eu acelerava, mais rápido ela passava os códigos de barra na leitora, bip!, e atirava os objetos para o empacotador que, coitado, esse sim se via em apuros. A insolente ainda tinha tempo de me mandar uns sorrisinhos diabólicos, vê se pode. Reavaliei minha estratégia: comecei a jogar no balcão apenas os produtos de menor volume, para dificultar e provocar cansaço na minha oponente. E tome sabonetes e xampus e frios e sardinhas e giletes e etc. Deu certo. No final das compras, pude acumular os volumes maiores sobre o balcão, com ar triunfal. Venci. Venci, mas não foi fácil. E não foi fácil porque ela, a menina do caixa, frágil, pequena, fraquinha, mostrou-se valente e audaz. Raçuda, como se diz no futebol. Eis a palavra: raçuda. Assim foi também o nosso Esportivo, na Série C. Pequeno, desnutrido, sem apoio de torcida – quanto mais o financeiro - nosso Esportivo foi destemido, foi longe e nos encheu de orgulho. Perdeu, mas foi valente e audaz. Raçudo. Valoroso. 2008 vem aí e o alvi-azul terá novos dirigentes – boa sorte a eles -, novo planejamento e, quem sabe, ainda melhores resultados, que superem o “quase” do último Gauchão e da Série C. Que ninguém duvide disso. E que, ninguém duvidando, todos apóiem, cada um como puder, o nosso representante futebolístico. Ele faz por merecer. TrackbacksThe trackback URL for this entry is: http://pittbrasil.spaces.live.com/blog/cns!3594FAAE9D7854BD!240.trak Weblogs that reference this entry
|
|
|